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"... o livre arbítrio humano, coadjuvado pela graça, pode vencer qualquer crise, como pode deter e vencer a própria Revolução."(Parte I, Cap. V, 4)
Ultramontanos séc XIX

Os Católicos Franceses do Século XIX - Parte 16 - Legitimistas e católicos a serviço do Bonapartismo

Aproximava-se a época de eleição do presidente da república, e entre os candidatos o Príncipe Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho de Napoleão I, aparecia com grande eleitorado no seio da massa popular. O Partido da Ordem, não desejando se dividir e querendo aproveitar-se do prestígio que revelara possuir o príncipe ao eleger-se deputado em cinco circunscrições diferentes, adotou a sua candidatura. Assim, a 10 de dezembro de 1848, Luís Napoleão era eleito presidente da França por esmagadora maioria de votos.

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Bertrand de Poulengi - Revista Catolicismo

A Assembléia Constituinte de 1848 formou quinze comitês especiais destinados a orientar melhor os seus trabalhos, dentre os quais os da instrução pública e da educação. Cada deputado escolhia livremente o comitê a que desejava pertencer. Os deputados católicos seguiam a orientação de Montalembert, que desejava o maior número possível de membros do Partido Católico no comitê de ensino, a fim de levar avante a reforma que fora a razão de ser de sua fundação. A indecisão de Montalembert, no entanto, minara sua autoridade. E o Conde de Falloux, apesar de causar-lhe o mais vivo descontentamento, preferiu o comitê do trabalho, fadado a ter uma grande importância política na república que se inaugurava.

De fato, o novo regime ostentava um programa de reforma social quase comunista, e seria no comitê do trabalho que se daria a luta entre os elementos conservadores e a esquerda revolucionária.

Logo depois de vitoriosa a revolução de fevereiro de 1848, o governo proclamou o direito do trabalho e organizou, por decreto, os chamados ateliês nacionais, destinados a acolher e a dar serviço a quem estivesse desempregado. Passado o entusiasmo das primeiras horas, todos os desocupados e agitadores dirigiram-se para os ateliês, que em pouco tempo chegaram a ter 100.000 membros. Estes eram pagos pelo governo a um franco por dia, a fim de não fazerem nada, pois não havia trabalho para uma tão grande multidão. Os agitadores não deixaram passar a ocasião, e transformaram os ateliês em focos de agitação que ameaçavam o governo e a Assembléia, punham em perigo a paz e incentivavam os operários a abandonar o trabalho. Na realidade os ateliês constituíram uma greve permanente, sustentada pelo poder público.

A Assembléia Constituinte e o próprio governo tinham consciência do perigo crescente representado pelos ateliês, mas não tinham coragem de os dissolver, e procuravam uma solução de compromisso. Essa foi uma das principais preocupações do comitê do trabalho. O Conde de Falloux foi incansável no combate aos ateliês, quer no comitê, quer na tribuna da Assembléia, porém sem resultado até o dia 15 de maio de 1848.

Nesse dia, os membros dos ateliês invadiram a Assembléia, dominaram-na e quiseram reviver as cenas da Revolução Francesa. O governo, que a custo os subjugou, resolveu então criar coragem e solucionar de vez o problema. Chegara a hora do Conde de Falloux. É ele quem combate mais tenazmente, propõe medidas, tenta executá-las, trabalha, conversa, torna-se enfim o líder da campanha. Finalmente, a 21 de junho é baixado um decreto obrigando os membros dos ateliês a escolher entre o serviço no exército ou no campo. No dia seguinte, não se conformando com a resolução do governo, os operários se revoltam e a insurreição eclode em Paris. Abafada com a máxima energia, os ateliês desapareceram com ela, e o Conde de Falloux se tornou o herói parlamentar da vitória.

Diante da ameaça socialista, os partidos conservadores se aliaram e formaram o que se chamou o "Partido da Ordem". Seus chefes se reuniram na rua Poitiers, pelo que foram apelidados de "notáveis da rua Poitiers". Entre eles, Berryer, chefe legitimista, lutava lado a lado com Thiers, orleanista, e Odilon Varrot, um dos promotores da república, pois fora o organizador dos banquetes da oposição. Montalembert representava o elemento católico, porém sua liderança não era mais incontestável, já que, graças a seu prestígio crescente, o Conde de Falloux se transformava no verdadeiro chefe do Partido Católico entre os notáveis da rua Poitiers.

Por outro lado, Montalembert, afastando-se de Luís Veuillot, com suas relações com D. Guéranger dia a dia mais tensas, e cada vez mais próximo da orientação de Mons. Dupanloup, abandonava insensivelmente a linha nitidamente católica que observara até então e perdia a confiança dos católicos. No rumo político que então escolheu, era ele superado pelo Conde de Falloux, que assim se tornava realmente o chefe leigo do "catolicismo liberal". Em carta a D. Guéranger, o próprio Montalembert reconhece essa situação: "Sinto perfeitamente o isolamento que se faz em torno de mim, quer pela inveja de uns, quer pela timidez de outros. Mas isso não me deterá. Depois de reflexões tão prolongadas quanto comporta o gênero de vida que levo, meu partido está definitivamente tomado".

A insurreição dos ateliês, mostrando a disposição dos partidos esquerdistas de tomar pela força o governo, lançou o pânico entre os notáveis. Aproximava-se a época de eleição do presidente da república, e entre os candidatos o Príncipe Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho de Napoleão I, aparecia com grande eleitorado no seio da massa popular. O Partido da Ordem, não desejando se dividir e querendo aproveitar-se do prestígio que revelara possuir o príncipe ao eleger-se deputado em cinco circunscrições diferentes, adotou a sua candidatura. Assim, a 10 de dezembro de 1848, Luís Napoleão era eleito presidente da França por esmagadora maioria de votos.

Tendo vivido sempre fora do país, Luís Napoleão era incapaz de formar um ministério, e Thiers se encarregou da tarefa. A não ser poucas indicações diretas do príncipe-presidente, quase todos os nomes de ministros vinham da rua Poitiers. Entre os candidatos de Luís Napoleão estava um que era para ele o homem ideal: o Conde de Falloux. Notável da rua Poitiers, um dos chefes ostensivos do partido legitimista, era Falloux um político respeitado. Além de todas essas vantagens, trazia para o governo o apoio do Partido Católico, que manobrava como entendia. Foi-lhe oferecida a pasta da Educação. Não se sabe muito bem o que se passou, quais os motivos que o levaram a aceitar. O fato é que o Conde de Falloux aceitou e fez parte do primeiro ministério de Luís Napoleão.


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