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"A Igreja Constitucional que ela [a Revolução Francesa], antes de naufragar no deísmo e no ateísmo, tentou fundar, era uma adaptação da Igreja da França ao espírito do protestantismo." (Parte I, Cap. 3, C)
Estudos

Num mundo em crise, uma chave de interpretação

Importância atualíssima do ensaio Revolução e Contra-Revolução, de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado há cinqüenta anos na centésima edição de Catolicismo

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Renato Murta de Vasconcelos

Estamos num mundo em crise. Crise de fé, crise moral, crise econômica. Ela é universal, avassaladora, onipotente. Atinge os indivíduos, as famílias, as instituições. Não há povo que tenha sido poupado por ela, nem mesmo o foi a Santa Igreja. É triste esta constatação, que a generalidade dos homens faz a todo momento.

Crise nas almas:o isolamento, a falta de esperança e de ideais lançam os indivíduos no desespero, nas drogas, nos crimes bárbaros e hediondos, na eutanásia, no suicídio.

Crise nas famílias: o deperecimento do casamento monogâmico entre homem e mulher, segundo a natureza, dá lugar a uniões de todos os tipos: homossexuais, poligínicas, poliândricas, entre velhos e jovens, entre adultos e crianças, uniões temporárias ou a prazo fixo; o aborto, praticamente introduzido nas legislações de quase todos os países do mundo, aniquilando qualquer vestígio de senso moral, prepara os espíritos para descalabros ainda maiores, pois “abyssus abyssum invocat” (um abismo atrai outro abismo).

Crise nos países: impera o medo; ninguém se sente seguro, incólume diante do alastramento da criminalidade e do terrorismo; nenhum futuro está garantido face à crise econômica internacional; focos de tensão, como os do Oriente Médio, podem se transformar de um momento para outro no estopim de uma grande guerra mundial.

Crise na Igreja:a autoridade eclesiástica vai sendo contestada por um número crescente de clérigos e fiéis; escândalos morais vão espocando sem cessar, no laicato e no clero; e a Religião católica vai sendo substituída pela “religião” laica, ou então pelo ocultismo, pelas seitas ligadas às chamadas “energias universais” que constituem hoje o que há de mais “moderno”. E o satanismo, a versão “hard” do ocultismo, encontra acolhida junto a boa parte da juventude atual.

Nesta perspectiva sombria, vem à mente o verso de Camões:

No mar tanta tormenta e tanto dano,

Tantas vezes a morte apercebida!

Na terra tanta guerra, tanto engano,

Tanta necessidade aborrecida!

Onde pode acolher-se um fraco humano,

Onde terá segura a curta vida,

Que não se arme e se indigne o Céu sereno

Contra um bicho da terra tão pequeno?

(Lusíadas, Canto I, 106)

*    *    *

A grande crise universal tem raízes morais, e se assemelha a um moloch avassalador que destrói tudo à sua passagem. Ameaça o mundo inteiro. E ao Brasil também.

Como se pôde chegar a essa situação praticamente sem saída? Existe uma solução definitiva, humanamente falando, para essa grande crise universal? São perguntas angustiadas que muitos se fazem.

Uma crise é uma anomalia, uma doença que atinge um organismo antes sadio. Ora, nenhuma moléstia pode ser combatida sem o conhecimento de suas causas e de seus efeitos, de seus grandes traços e características essenciais. Este é, entre outros, o grande contributo de Revolução e Contra-Revolução, de Plinio Corrêa de Oliveira, obra que estuda profundamente “a crise do homem ocidental e cristão” e seus efeitos sobre a sociedade e o Estado.

Nessa perspectiva, para quem queira orientar-se em meio à grande crise que atinge o mundo moderno, é indispensável o estudo dessa obra, que é a chave de interpretação dessa crise. É o que aconselhou o famoso canonista Pe. Anastasio Gutiérrez, ao sugeri-la como objeto de ensino nas grandes universidades ocidentais. Porém não se trata de uma obra meramente especulativa. Estudando a grande crise do mundo ocidental e cristão, Plinio Corrêa de Oliveira indica os meios pelos quais ela pode ser debelada. É portanto um manual indispensável para todos os contra-revolucionários que se empenham na restauração da ordem social cristã.

Um preito de homenagem e gratidão

Há precisamente 50 anos, as páginas do número 100 de Catolicismo traziam a lume, em primeira mão, essa obra-mestra de Plinio Corrêa de Oliveira, escrita como fruto de seu grande amor à civilização cristã e de seu empenho por restaurá-la desde os fundamentos. Esse amor, impulso de todos os seus anelos e móvel de todas as suas ações, ele o teve desde a sua mais tenra idade e o conservou até seu último alento. Daí ele afirmar num texto luminoso e de ressonâncias poéticas: “Quando ainda muito jovem, considerei enlevado as ruínas da Cristandade, a elas entreguei meu coração. Voltei as costas ao meu futuro e fiz daquele passado carregado de bênçãos o meu porvir..."

*    *    *

Plinio Corrêa de Oliveira apresenta as linhas mestras de seu pensamento no ensaio Revolução e Contra-Revolução. Mais atual do que nunca, cinqüenta anos depois do seu lançamento, constitui um precioso manual teórico-prático que vem suscitando o surgimento de movimentos contra-revolucionários atuantes nos cinco continentes.

O que é propriamente a Revolução? Não se trata aqui de um fato meramente episódico, regional ou nacional, mas de um fenômeno histórico, multissecular e universal. Conhecer-lhe as linhas mestras, é fundamental para todos os que querem compreender o imenso caos das almas, das mentes e das instituições em nossos dias, e assim defender os restos ainda vivos da civilização cristã.

Em seu Auto-retrato filosófico — redigido a pedido do filósofo letão P. Stanislav Ladusans SK (1912-1993) e publicado por Catolicismo em sua edição de outubro/1996 — Plinio Corrêa de Oliveira apresenta uma síntese de sua obra-mestra. Dessa síntese apresentamos abaixo uma condensação, como preito de homenagem e gratidão àquele que foi e permanece a alma de nosso mensário.

Um autêntico best-seller

Além das edições em português publicadas no Brasil (duas em 1959, uma em 1982, uma em 1993 e outra em 1998), Revolução e Contra-Revolução teve ainda 12 edições em espanhol: Argentina (2 edições em 1970 e uma em 1992), Chile (1964 e 1992), Colômbia (1992), Equador (1992), Espanha (1959, 1965, 1978, 1992) e Peru (1994); duas em francês: Brasil (1960) e Canadá (1978); três em inglês: Estados Unidos (1972, 1980, 1993); três em italiano (1964, 1972, 1977); uma em romeno (1995) –– perfazendo um total de 25 edições. Foi ainda transcrito em jornais ou revistas do Brasil, Angola, Argentina, Colômbia, Espanha, França, Itália e Venezuela, alcançando uma tiragem total (excluídas as transcrições parciais) de 123.700 exemplares.

As edições a seguir já incluíram as atualizações: Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Espanha (todas em 1992), Estados Unidos (1993), Brasil (1993, 1998), Peru (1994, 2005), na Romênia (1995), na Alemanha (1996), na França (1997), Polônia (1998, 2001, 2006, 2007) e Bielo-Rússia (2008).

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Fonte: Revista Catolicismo, Abril 2009


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