Ambientes, Costumes, Civilizações, Catolicismo no 117, setembro de 1960 |
Em 1951, com a maior parte dos antigos colaboradores do “Legionário”, comecei a escrever no mensário
Catolicismo. Foi também em
Catolicismo que criei e mantive, durante vários anos, a seção
Ambientes, Costumes, Civilizações, por muitos apontada como a expressão rica e original de uma escola de produção intelectual.
Essa seção constava da análise comparativa de aspectos do presente e do passado, tendo por objeto monumentos históricos, fisionomias características, obras de arte ou de artesanato, apresentados ao leitor através de fotos. Tal análise, feita à luz dos princípios que explicitei em Revolução e Contra-Revolução, tinha por meta mostrar que a vida de todos os dias, em seus aspectos-ápices ou triviais, é suscetível de ser penetrada pelos mais altos princípios da Filosofia e da Religião. E não só penetrada, mas também utilizada como meio adequado para afirmar ou então negar — de modo implícito, é verdade, mas insinuante e atuante — tais princípios. De tal forma que, freqüentemente, as almas são modeladas muito mais pelos princípios vivos que pervadem e embebem os ambientes, os costumes e as civilizações, do que pelas teorias por vezes estereotipadas e até mumificadas, produzidas à revelia da realidade em algum isolado gabinete de trabalho, ou postas em letargo em alguma biblioteca empoeirada.
De onde a tese de Ambientes, Costumes, Civilizações consistir em que o verdadeiro pensador também deve ser normalmente um observador analista da realidade concreta e palpável de todos os dias. Se católico, esse pensador tem ademais o dever de procurar modificar essa mesma realidade, nos pontos em que ela contradiga a doutrina católica (Plinio Corrêa de Oliveira, Auto-retrato Filosófico, Catolicismo, outubro/1996)