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"A Cristandade ocidental constituiu um só todo, que transcendia os vários países cristãos, sem os absorver. Nessa unidade viva se operou uma crise que acabou por atingi-la toda inteira" (Parte I, Cap. III, 2)
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O tomismo militante: o discurso-ação de Plinio Corrêa de Oliveira

Ivanaldo Santos, professor de Filosofia da UERN, teve a gentileza de nos enviar mais um texto de sua autoria a respeito de Plinio Corrêa de Oliveira. Tal artigo foi publicado na Revista Eletrônica de Estudos Tomistas Aquinate, n. 9, 2009, p. 192-200.

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Ivanaldo Santos

1. Introdução

O objetivo desse pequeno artigo é apresentar apenas o tomismo militante de Plinio Corrêa de Oliveira e o discurso-ação decorrente dessa militância. Para isso ele foi dividido em – partes: Plinio Corrêa de Oliveira e o tomismo, o conceito de discurso-ação, o discurso-ação de Plinio Corrêa de Oliveira e a conclusão.   

2. Plinio Corrêa de Oliveira e o tomismo

Nas palavras do Cardeal Alfonso M. Stickler, Plinio Corrêa de Oliveira é “o grande pensador e homem de acção brasileiro. [...]. Com a coerência da sua vida de autêntico católico confirma-nos a fecundidade da Igreja” . Este pensador produziu uma das mais vigorosas e vastas obras que o pós-segunda guerra presenciou. Publicou intensamente artigos em diversos jornais de circulação no Brasil como, por exemplo, o Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo e o jornal católico O Legionário. Além disso, fundou a revista Catolicismo, um dos mais importantes e combativos instrumentos da apologética católica na segunda metade do século XX.

Em 1959 ele publicou um dos livros de metodologia-filosófica mais influentes do século XX. Trata-se de Revolução e contra-revolução ­­ - mais conhecido pela sigla RCR. Sobre este livro Heitor de Paola afirma que se trata de uma obra fundamental para todos que desejam compreender como os antigos e superados valores culturais e morais do paganismo grego-romano lentamente renasceram no Ocidente após o século XV e como esses valores aparecem na forma de uma revolução cultural, a qual tem por objetivo destruir a civilização cristã e transformar a Igreja em apenas uma instituição social superada.

Neste livro, Plinio Corrêa de Oliveira demonstra, com grande fundamentação histórico-filosófica, que os grandes movimentos revolucionários do Ocidente moderno (protestantismo, liberalismo, revolução francesa, positivismo, socialismo, nazi-fascismo e outros) são etapas da revolução cultural anti-cristã. Diante dessa revolução, ele propõe a realização da contra-revolução, ou seja, “restaurar e promover a cultura e a civilização católica” . Essa restauração tem por objetivo “promover, entre os indivíduos e as multidões, um apreço muito maior por tudo quanto diz respeito à Religião verdadeira, à verdadeira filosofia, à verdadeira arte e a verdadeira literatura” . Dentro do pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira deve-se entender a expressão verdadeira religião como sendo a religião cristã e a expressão verdadeira filosofia deve ser entendida como sendo a filosofia produzida por Tomás de Aquino e, por conseguinte, pelo tomismo. Pois, só a filosofia iluminada pelo pensamento do aquinate, ou seja, o tomismo tem reais condições de analisar, construir e criticar a história das idéias, a sociedade e todas as estruturas que dela fazem parte.         

Em 1960 ele fundou, juntamente com um grupo de congregados marianos, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade - mais conhecida pela sigla TFP. Essa sociedade leiga, católica e de cunho jurídico espalhou-se por dezenas de países, tendo inclusive grande influência em países como, por exemplo, Itália, Espanha, EUA, Argentina e Chile. Ela foi e continua sendo um instrumento de propagação dos ideais e da sociedade cristã.

Apesar do nome de Plinio Corrêa de Oliveira não ser citado no livro de historia do tomismo no Brasil, Tomismo e neotomismo no Brasil, organizado por Fernando Arruda Campos , ele foi um dos grandes pensadores tomistas brasileiros do pós-segunda guerra mundial. Com relação à ausência do nome do referido pensador do livro de Fernando Arruda Campos é bom ter em mente a advertência que Luís Washington Vita realiza quando afirma que o citado livro trata-se de um levantamento pioneiro do legado especulativo de Santo Tomás no Brasil, desde os tempos coloniais até o século XX. Entretanto, é preciso ter consciência que “algo ficou de fora”, ou seja, nem todos os pensadores tomistas brasileiros constam do livro Tomismo e neotomismo no Brasil.

Plinio Corrêa de Oliveira é uma dessas ausências citadas por Luís Washington Vita. Entretanto, em hipótese alguma se deve duvidar da fidelidade desse pensador à obra do aquinate. Sobre a questão de Plinio Corrêa de Oliveira ser um tomista, Roberto de Mattei afirma:

“Plinio Corrêa de Oliveira definiu-se, sem hesitações, como um tomista convicto, conformando-se nisto com o Magistério da Igreja que no último século, desde Leão XIII até João Paulo II, não cessou de indicar o Doctor Communis Ecclesiae como ponto de referência dos estudos filosóficos para os católicos. [...]. Ele fez seu o princípio fundamental do tomismo, segundo o qual o objecto próprio da inteligência humana não é o ser indefinido, mas a quidditas rei sensibilis, as essências específicas do real” .

Plinio Corrêa de Oliveira manteve contato estreito com dois influentes tomistas. O primeiro foi o padre jesuíta Leonel Franca. Ele e o Pe. Leonel Franca mantiveram estreita amizade e colaboração intelectual. Inclusive Roberto de Mattei faz questão de lembrar um fato marcante da formação intelectual de Plinio. Sobre essa questão Mattei afirma:

“Por ocasião da cerimônia de formatura na curso de direito na Universidade, ousou aquilo que até então nunca acontecera em qualquer universidade estatal, no Brasil. Quis fazer celebrar a Missa, que tradicionalmente concluía o curso dos estudos superiores, não na igreja de São Francisco, contígua à Faculdade, mas no pátio interno desta. Celebrou o vigário geral da Diocese, Mons. Gastão Liberal Pinto, e pregou o P. Leonel Franca, da Companhia de Jesus” .

É preciso ressaltar que o Pe. Leonel Franca é um dos grandes nomes do movimento neotomista no Brasil. Sobre ele Fernando Arruda Campos afirma tratar-se de um “espírito voltado para os mais altos e mais dilatados ideais do pensamento cristão” e Luís Washington Vita ressalta que para o Pe. Franca o “tomismo é a Filosofia, com maiúscula, enquanto as demais tendências especulativas são meras filosofias, com minúsculas, precárias estas e perene aquela”

O segundo contato foi com o padre dominicano Réginald Garrigou-Lagrange. Um dos maiores nomes da geração tomista da primeira metade do século XX. Sobre esse contato Roberto de Mattei relata:

“No verão de 1938, esteve no Brasil o célebre Padre dominicano Réginald Garrigou-Lagrange, para participar na Primeira Semana de Estudos Tomistas, que teve lugar no Rio de Janeiro, sob a presidência do Núncio [Apostólico] D. Bento Aloisi Masella. O Padre Garrigou-Lagrange viajou depois a São Paulo, onde visitou a equipa do Legionário. No número 18 de Setembro de 1938, uma fotografia mostra Plinio Corrêa de Oliveira junto do dominicano francês” .

Com os tomistas Leonel Franca e Réginald Garrigou-Lagrange, Plinio Corrêa de Oliveira travou uma intensa relação de amizade, mas também pode aprofundar o conhecimento e as discussões em torno do pensamento do aquinate e de todas as conseqüências desse pensamento para a sociedade e para o ser humano.

Na perspectiva de Plinio Corrêa de Oliveira o tomismo não é uma mera área da filosofia limitada à Idade Média ou uma simples disciplina dentro da história da filosofia. Para ele, o tomismo é, ao mesmo tempo, a síntese de toda a filosofia e a possibilidade concreta da mesma pesquisar as questões últimas e radicais que envolvem o ser humano, questões como, por exemplo, a Verdade, Deus, a Alma e a Vida Eterna.    

É preciso deixar claro que mesmo críticos da obra de Plinio Corrêa de Oliveira como, por exemplo, Rodrigo Coppe Cardeira e Gizele Zanotto nunca negaram a influência e, ao mesmo tempo, a fidelidade que esse pensador sempre devotou a Tomás de Aquino.

Com relação às críticas a obra intelectual e a atividade pastoral é necessário esclarecer que Plinio Corrêa de Oliveira foi um dos pensadores tomistas mais criticados no Brasil e no exterior durante o século XX. Essas críticas vão desde a acusação caluniosa de adepto do nazi-fascismo até as tradicionais acusações de puritanismo e dogmatismo realizadas contra os intelectuais cristãos. Sobre as críticas contra a figura de Plinio Corrêa de Oliveira, o Cardeal Alfonso M. Stickler afirma:

“Todos os fundadores e personalidades de relevo na história da Igreja sofreram incompreensões e calúnias. Não admira, pois, que também Plinio Corrêa de Oliveira tenha sido objecto, e possa continuar a sê-lo no futuro, de campanhas difamatórias, alimentadas habilmente por aqueles que se opõem ao seu ideal de recristianização da sociedade. Tais campanhas caluniosas também atingiram, no nosso século, muitas outras associações católicas, contra as quais se quis lançar a pecha demoníaca de "seitas". É interessante notar que tais campanhas se tornam tanto mais agressivas quanto maior é a fidelidade católica das associações atingidas. Isso demonstra que o verdadeiro alvo das acusações é a Igreja, à qual se pretende negar o papel de "Mestra da Verdade" recentemente reafirmado pelo Santo Padre João Paulo II na encíclica Veritatis Splendor .    

As palavras do Cardeal Alfonso M. Stickler são muito esclarecedoras. O problema não é a obra intelectual e a atividade pastoral desenvolvida por Plinio Corrêa de Oliveira, mas sim o projeto de recristianização do Ocidente desenvolvido por ele e por muitos outros intelectuais e movimentos apostólicos católicos. Basta ver a dura campanha de difamação realizada atualmente pela mídia internacional contra movimentos piedosos católicos que visam à conversão do homem e da sociedade neopagã. Entre esses movimentos citam-se: os Cavaleiros de Colombo, o movimento tradicionalista católico e o Opus Dei.            

3. O conceito de discurso-ação

Há quase que um senso comum dentro dos ambientes universitários que afirma que todo discurso é portador de uma ação.  Em si mesmo, o discurso já é uma forma do ser humano ter algum tipo de ação. Em grande medida, essa postura é oriunda da filosofia analítica, especialmente pelo pensamento desenvolvido por Wittgenstein na segunda fase de sua obra, especificamente nas Investigações filosóficas.
De certa forma, essa postura não é totalmente errada. Entretanto, é preciso deixar claro que o objetivo desse pequeno artigo não é discutir a relação entre a filosofia analítica e o conceito de discurso-ação. Pelo contrário, o objetivo é bem mais simples. Como já afirmado: tenciona-se apresentar apenas o tomismo militante de Plinio Corrêa de Oliveira e o discurso-ação decorrente dessa militância.
Entretanto, é preciso apresentar – mesmo que de forma rudimentar – o conceito de discurso-ação. Para Isabela Francisca Freitas Gouvéia de Vasconcelos o discurso-ação é a expressão das “experiências concretas dos atores sociais”, ou seja, as ações realizadas pelos grupos e indivíduos que se destacaram dentro da sociedade. Ocasionando, com isso, algum tipo de transformação social. Obviamente, que não está em discussão se essa transformação é ética ou não. Já para Juscéia Aparecida Veiga Galbelini o discurso-ação consiste em toda manifestação do discurso que sirva de “suporte para ação” , isto é, há vários tipos de manifestação do discurso na sociedade, mas apenas os discursos que se transformem em ação podem ser considerados como discurso-ação.

4. O discurso-ação de Plinio Corrêa de Oliveira

Como visto anteriormente, Plinio Corrêa de Oliveira é um pensador genuinamente tomista. É dentro e, ao mesmo tempo, inspirado na tradição tomista que ele desde a juventude tem uma postura moldada pelo discurso-ação. Como afirma Roberto de Mattei , ele desde a mais tenra juventude sempre nutriu um ideal de dedicação profundo a fé cristã. E esse ideal o próprio Plinio deixa bem claro que é a restauração da civilização cristã.   

Não é intenção desse pequeno artigo realizar uma longo exegese da vida público de Plinio Corrêa de Oliveira. Entretanto, apresentam-se três pontos cruciais de sua vida pública que enfatizam o discurso-ação.

O primeiro ponto é sua atividade como acadêmico do curso de direito da Universidade de São Paulo. Em 1928, juntamente com alguns congregados marianos, ele funda nesta universidade a Ação Universitária Católica (AUC). Um grupo de jovens católicos que além do estudo acurado da filosofia tomista e da doutrina cristã, pretendiam desenvolver uma série de ações no meio universitário com o intuito de evangelização e de promoção da civilização cristã. Nas atividades desenvolvidas pela AUC já se antevê o grande líder intelectual e o ativista católico que Plinio Corrêa de Oliveira se transformaria no futuro. É preciso ressaltar que o ativismo pró-civilização cristã foi tamanho dentro das atividades públicas que Plinio Corrêa de Oliveira terminou ganhando o apelido de cruzado do século XX.  

O segundo ponto é sua intensa atividade de escritor. Ele escrever intensamente até o dia de sua more em 1995. Entretanto, para ele essa atividade não era pura abstração acadêmica bem ao gosto da intelectualidade universitária contemporânea. Pelo contrário, para ele escrever era uma forma de combater, de lutar em prol do ideal da recristianização do Ocidente. Seus artigos e livros eram discursos que denunciavam o caráter individual e antiético da sociedade contemporânea. E diante desse caráter apenas a luz do evangelho poderia trazer o ser humano novamente ao caminho da vida digna e honrada. O discurso de Plinio Corrêa de Oliveira era essencialmente uma ação ética em prol da dignidade do ser humano.

O terceiro e último ponto é a fundação em 1960 da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade - mais conhecida pela sigla TFP. Essa Sociedade logo se espalhou por dezenas de países. E mesmo os países que não possuíam oficialmente casas da TFP eram influenciados por sua ação pastoral. Plinio Corrêa de Oliveira imprimiu na TFP toda a sua determinação e a experiência acumulada durante décadas de defesa da sociedade cristã.

Para ele todos os meios modernos devem ser utilizados pela TFP para a proclamação da filosofia tomista e da doutrina cristã. Entre esses meios citam-se: rádio, TV, jornal, revistas, livros e mais recentemente a internet. Além disso, ele criou e incentivou várias campanhas casa-a-casa que foram realizadas por militantes da TFP. Essas campanhas casa-a-casa tinham por objetivo precípuo o contato direto com o cidadão.  A partir desse contado esperava-se que a verdade do evangelho pudesse penetrar na vida do cidadão. A estratégia das campanhas casa-a-casa realizadas por militantes da TFP é um ótimo exemplo do discurso-ação desenvolvido por Plinio Corrêa de Oliveira.  

A TFP foi durante a segunda metade do século XX um das organizações católicas que mais combateram o ateísmo e o totalitarismo oriundo da ideologia marxista-socialista e as demais formas de organização e manifestação da sociedade neopagã. Seus militantes sempre trabalharam dia-a-dia para que o discurso-ação de Plinio Corrêa de Oliveira pudesse transformar a sociedade contemporânea.

5. Conclusão

Por fim, é preciso ressaltar que o discurso-ação de Plinio Corrêa de Oliveira fica patente no Discurso no encerramento do ano de 1936, no Colégio Arquidiocesano de São Paulo. Um discurso muito conhecido pelas pessoas que conviveram com ele e pelos militantes da TFP. Neste discurso Plinio Corrêa de Oliveira afirma:

“Concebemos a vida, não como um festim, mas como uma luta. O nosso destino deve ser de heróis e não de sibaritas. É esta verdade sobre a qual mil vezes meditamos, que hoje vos venho repetir. [...]. Colocai Cristo no centro das vossas vidas. Fazei convergir para Ele todos os vossos ideais” .

Neste discurso fica claro o ideal de Plinio Corrêa de Oliveira, ou seja, ser um herói e poder contribuir para que milhares de pessoas também sejam heróis. Entretanto, esse heroísmo pregado por ele não é o heroísmo vulgar e violento apresentado pela mídia e pelo cinema atualmente, mas o heroísmo para o qual todo cristão é convocado, ou seja, ter Cristo Salvador como centro e guia da vida humana e, por conseguinte, ter a doutrina da Igreja como uma experiência cotidiana. Dentro desse espírito de ação heróica o tomismo emerge como a única filosofia capaz de compreender e de orientar o ser humano para a autêntica experiência da Verdade, ou seja, a Verdade construída e revelada por Deus ao ser humano.      
                
  
Referências bibliográficas:

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Este livro veio a público pela primeira vez em abril de 1959, no centésimo número da revisa cultural Catolicismo. Posteriormente foi impresso com pequenas modificações na forma de livro. Ele foi traduzido para dezenas de países e obteve grande repercussão nos meios intelectuais brasileiros e de outros países como, por exemplo, EUA, França, Espanha, Argentina e Chile. 

 

DE PAOLA, H. Soberania como farsa. IN: Jornal Inconfidência, Belo Horizonte, MG (www.grupoinconfidencia.com.br), Ano XIII, nº. 125, em 12/04/2008.

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MATTEI, 1997, p. 68. 

CALDEIRA, R. C. Domínios diferenciados e refluxos identitários: o pensamento católico “antimoderno” no Brasil. IN: Horizonte, Belo Horizonte, v. 2, n. 4, p. 97-111, 2004. 

ZANOTTO, G. Tradição, Família e Propriedade: Cristianismo, sociedade e salvação In: XI CONGRESSO LATINOAMERICANO SOBRE RELIGIÃO E ETNICIDADE - MUNDOS RELIGIOSOS: IDENTIDADES E CONVERGÊNCIAS, 2006, São Bernardo do Campo/SP. Anais do XI Congresso Latino-Americano sobre Religião e Etnicidade - Mundos Religiosos: Identidades e Convergências. São Bernardo do Campo/SP: UMESP / ALER, 2006. v. I.

Com relação ao fato das acusações de que Plinio Corrêa de Oliveira era um adepto do nazi-fascismo é preciso esclarecer que ele foi um dos intelectuais brasileiros que mais criticaram e denunciaram o caráter desumano e anticristão desse sistema ideológico-político. Sobre esse sistema, ele afirma no artigo À margem da crise, publicado no jornal O Legionário (25/09/1938): "É incontestável que o comunismo é a antítese do catolicismo. Mas o nazismo, por seu lado, constitui uma outra antítese da doutrina católica, muito mais próximo do comunismo do que qualquer destes do catolicismo". Sobre essa mesma questão Mattei (1997, p. 45) ressalta: “Entre 1929 e 1947 foram publicados no Legionário nada menos que 2.936 artigos contra o nazismo e o fascismo, dos quais 447 de Plinio Corrêa de Oliveira. É importante sublinhar que grande parte destes escritos vieram a lume não apenas antes da guerra, mas também antes da encíclica Mit brennender Sorge, num momento em que muitos equívocos ainda se acumulavam a respeito do nazismo. Na perseguição anti-religiosa hitlerista o Prof. Plinio não viu um aspecto acidental e extrínseco da política do Terceiro Reich, mas a consequência lógica de uma visão do mundo antitética à católica”.     

STICKLER, 1997, p. 4.

VASCONCELOS, I. F. F. G. de. Etnografia e teoria dos papeis: uma breve discussão dos paradoxos que envolvem a pesquisa. IN: REGEN, jan/abril 2007, v 5, n 1, p. 30.   

GALBELINI, J. A. V. Da ação e do sujeito da ação. Tese de doutorado. PPGeL. Belo Horizonte: UFMG, 2007, p. 131-132. 

MATTEI, 1997, p. 34.

Com relação ao fato de Plinio Corrêa de Oliveira e da TFP combaterem o ateísmo e o totalitarismo oriundo da ideologia marxista-socialista, Abel de Oliveira Campos Filho (Meio século de epopéia anticomunista. São Paulo: Vera Cruz, 1980) afirma que um dos grandes objetivos desse pensador era a conversão dessa ideologia a fé cristã.     

OLIVEIRA, P. C. de.  Discurso no encerramento do ano de 1936, no Colégio Arquidiocesano de São Paulo. IN: Echos, n° 29 (1937), p. 88-92.


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