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"A primazia da Igreja entre as forças contra-revolucionárias é obvia, se considerarmos o número dos católicos, sua unidade, sua influência no mundo. Mas esta legítima consideração de recursos naturais tem uma importância muito secundária. A verdadeira força da Igreja está em ser o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo." (Parte II, Cap. XII, 4)
Estudos

Demolidores e Criadores

Enquanto tudo passa e perece a seus pés, a Igreja mantém-se erguida, porque está sustentada pelo poder do alto. Abramos a cortina do cenário dos povos modernos, e veremos que, em cada século, os filhos da Igreja têm que levar a seus lábios a trombeta guerreira. Esta luta não terminará porque eterno é o antagonismo entre a sombra e a luz. Enquanto os filhos da sombra demolem, os filhos da luz regeneram.

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Santa Teresa de los Andes

Grandeza de visão histórica

 

Corria o ano de 1918. A jovem Joana Fernández Solar, dedicada estudante de História, apresenta três composições literárias ao Concurso Geral da Vicária, que a levaram-na a obter o primeiro prêmio, outorgado pela Academia.

É esta mesma jovem, que poucos meses depois ingressará nas Carmelitas de Los Andes chamando-se a partir daí Teresa de Jesus, e que veneramos com o nome de Santa Teresa de Los Andes.

Transcrevemos trechos da primeira das composições mencionadas, titulada expressivamente “Demolidores e Criadores”. O conteúdo desta composição revela traços admiráveis e pouco conhecidos de seu pensamento e sua personalidade. Sua visão de conjunto sobre decisivos acontecimentos históricos dos últimos séculos; a convicção com que esta jovem, que com seus 18 anos, passeia pelos campos da teologia e da filosofia da História; e, sobretudo, sua fé na Igreja militante, constituem um reconfortante exemplo, uma admirável lição, para todos aqueles que lutam em defesa dos valores da civilização cristã.
  

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Sombra e Luz na Idade Moderna“, por Joana Fernández Solar (1900-1920)

DEMOLIDORES E CRIADORES

“Há um poder sempre reinante, uma dinastia que não conhece ocaso, uma luz que jamais se extingue, e este poder tem sido sempre combatido, esta dinastia sem cessar perseguida, esta luz está continuamente circundada de trevas. Eis aqui a eterna história do poder da Igreja; da dinastia do Papado; da luz, da verdade. Enquanto tudo passa e perece a seus pés, a Igreja mantém-se erguida, porque está sustentada pelo poder do alto. Abramos a cortina do cenário dos povos modernos, e veremos que, em cada século, os filhos da Igreja têm que levar a seus lábios a trombeta guerreira. Esta luta não terminará porque eterno é o antagonismo entre a sombra e a luz. Enquanto os filhos da sombra demolem, os filhos da luz regeneram. Daí o título que adotamos: ‘Demolidores e Criadores’.

O que se passou no século XVI? Os países da Europa se incendiaram no fogo de guerra fratricida. Na Alemanha um astro sinistro se interpõe entre as almas e o sol da verdade. Lutero e seus sequazes dão o grito de guerra, o alvo de seus ataques é a autoridade da Igreja. Creres no que queirais!… Qual é o fruto desta rebelião? A destruição da comunhão de idéias. As nações se vêem inundadas em sangue, as almas envoltas nas trevas do erro, e a heresia, como rio desbordado, arrasta às massas populares, à nobreza, os tronos até os ministros do altar. Os canais por onde Deus derrama as graças sobre as almas estão, pois, envenenados”.

“Mas, será possível que o mundo pereça? Não, eis que um novo astro surge no horizonte; é o ferido de Pamplona, Inácio de Loyola, que cai como soldado de um rei terreno e se levanta como guerreiro do Rei do céu. Veio alistar una companhia que não manejará a arma nem empunhará a espada. Quereis conhecer suas armas? O Crucifixo! Seu lema? Tudo para a maior glória de Deus! Seus soldados se derramaram por toda parte, e, portadores da luz da verdade, vão deixando atrás de si um sinal luminoso; luz derramam na Europa, na controvérsia, na pregação, no ensinamento; luz derramam nas Índias com Francisco Xavier que regenera nas águas do batismo milhões de almas; luz derramam os soldados da nova milícia por onde quer que dirigem seus passos”.

“Demos volta à página do século XVI e veremos no século seguinte o mesmo espetáculo de sombra e luz, de demolidores e criadores. No século XVII vemos destacar-se entre as sombras uma figura de aspecto rígido e severo: Jansênio que lança a frieza e a sombra por onde passa. A chama de amor vacila e acaba por extinguir-se com seu grito ímpio: Cristo não morreu por todos! Fugi do Deus do Sacramento, posto que podeis perder sua boa vontade pela vossa indignidade. Fugi, Fugi!’.., clamam os demolidores do século XVII, e as almas aterradas fogem... se enregelam e se perdem!…”

“Deus estava ferido no mais delicado de seu amor.., o Verbo pronuncia uma vez mais a palavra criadora que vai a fazer brilhar a luz no meio das trevas: em Paray-Le-Monial se levanta um sol esplendoroso e vivificante. Jesus Cristo mostra a uma humilde visitandina seu Coração aberto, abrasado em chamas de amor, se queixa do esquecimento dos homens e os chama a todos com insistência, A legião jansenista grita: Fugi, fugi!,,, A voz de Paray-Le-Monial chama em contrário: Venham, venham! A negra bandeira do terror cederá ante o formoso estandarte do amor, és isto tudo? Não, ali está o grande apóstolo da caridade, São Vicente de Paula, que à imitação do Divino Mestre, chama o pobre, o doente, o menino; para todos há lugar em seu coração”.

“A luta não terminou; o inimigo espreita sempre à Igreja. A tempestade é mais terrível que nunca no século XVIII, Os corifeos da maldade, Voltaire e Rousseau se mostram, o primeiro com o sorriso jocoso nos lábios e a blasfêmia na pena, o segundo com o sofisma e a confusão nas idéias, e ambos com a corrupção no coração. Os pretensos filósofos querem explicar tudo racionalmente, e proclamam diante do mundo que não há Deus, arrancam a Cristo do coração de nobres e plebeus, e ainda se atrevem a arrancar-lo do coração da criança.

Parem infames! Está ultrapassada vossa medida, esse santuário de inocência não pode ser traspassado, esses meninos pertencem a Jesus Cristo! Um apóstolo se levanta em nome do Deus da infância. João Batista La Salle, funda as escolas cristãs, encerrando no coração dos pequeninos desvalidos a chama da fé que se extingue por todas as partes (,.,)”.

“Oh Igreja, teu poder jamais será destruído! As trevas cobriram a face do universo na aurora do Tempo e ao ‘Fiat lux’ fugiram vencidas. Más tarde as sombras da idolatria cobriram ao mundo antigo, veio o Verbo e dissipou as trevas, porque o Verbo era a Luz. Hoje as sombras cobrem de novo ao orbe cristão; mas ali está a palavra de Cristo, Verdade eterna: ‘Aquele que me segue e cumpre minha palavra não anda nas trevas”.

“Oh palavra de vida! A Ti amor eterno, a Ti eterna felicidade!”.

(cfr. “Un lirio del Carmelo: Sor Teresa de Jesús- Juanita Fernández S., 1900 - 1920″, pp. 555 a 559; Imprenta de San José, Santiago, 1929).


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